Atenção!!! Esse artigo contém spoilers do livro A casa no mar Cerúleo.
Alguns livros terminam quando fechamos a última página. Outros continuam com a gente muito depois disso.
Para mim, A Casa no Mar Cerúleo, de TJ Klune, foi um desses livros.
A história de Linus Baker e das seis crianças mágicas daquele pequeno orfanato conseguiu criar aquele tipo raro de leitura que deixa o coração quentinho. Por isso, quando descobri que existia uma continuação, fiquei dividida entre a curiosidade e aquele pequeno medo que sempre aparece quando gostamos muito de uma história:
será que uma continuação consegue manter a magia do primeiro livro?
Depois de ler Em Algum Lugar Além do Mar, posso dizer que, para mim, a resposta é sim.
Não acho que o segundo livro seja melhor que o primeiro. A Casa no Mar Cerúleo continua sendo meu favorito e recebeu um lugar especial entre minhas leituras.
Mas Em Algum Lugar Além do Mar consegue fazer algo que considero ainda mais importante para uma continuação: mostrar o que aconteceu depois do “felizes para sempre”.
E, no caso dessa família, isso significa voltar para casa.
A Casa no Mar Cerúleo: onde tudo começou
📖 A Casa no Mar CerúleoT. J. Klune
⭐⭐⭐⭐⭐ 5/5
Sinopse:
Linus Baker leva uma vida solitária e extremamente previsível trabalhando para o departamento responsável por supervisionar orfanatos de crianças mágicas. Até que recebe uma missão confidencial: viajar para a ilha de Marsyas e investigar um orfanato onde vivem seis crianças consideradas especialmente perigosas.Lá, ele encontra uma gnoma, uma sprite, uma serpe, um transmorfo, uma criatura verde peculiar e o próprio Anticristo. Sob os cuidados do misterioso Arthur Parnassus, aquelas crianças parecem muito diferentes da ameaça descrita nos relatórios.
Enquanto tenta descobrir se o orfanato realmente representa algum perigo, Linus começa a questionar tudo aquilo em que acreditava — e descobre que talvez tenha encontrado, naquele lugar improvável, algo que nunca teve: uma família.
🛒 Quer conhecer o Cerúleo?
Antes de falar sobre Em Algum Lugar Além do Mar, precisamos voltar um pouco para a pequena ilha onde tudo começou.
Em A Casa no Mar Cerúleo, conhecemos Linus Baker, um funcionário extremamente burocrático responsável por fiscalizar orfanatos que abrigam crianças mágicas.
Linus está acostumado a seguir regras, preencher relatórios e avaliar se essas crianças representam algum risco.
Até que recebe uma missão diferente: visitar um orfanato bastante peculiar e descobrir se seus moradores são realmente tão perigosos quanto os registros dizem.
E as crianças certamente são peculiares.
Talia é uma gnoma de personalidade forte. Lucy é o Anticristo. Sal é um transmorfo. Theodore é uma serpe. Chauncey é uma criatura verde que parece uma bolha gelatinosa. E Phee é uma sprite.
Se você olhar apenas para suas classificações, realmente parece um grupo que deveria causar preocupação.
Mas o que realmente nimporta é que elas são crianças.
Crianças que brigam, fazem bagunça, têm medo, querem atenção, criam amizades e, principalmente, querem ser amadas.
E é justamente esse contraste que torna o primeiro livro tão especial.
O mundo olha para aquelas crianças e enxerga criaturas perigosas.
Linus começa a olhar para elas e enxergar Talia, Lucy, Sal, Theodore, Chauncey e Phee.
Afinal, o que torna alguém perigoso?
Essa é uma das ideias que mais gosto em A Casa no Mar Cerúleo.
O que torna alguém perigoso: aquilo que ele é ou aquilo que os outros acreditam que ele seja?
Linus chega à ilha para avaliar as crianças, mas acaba descobrindo muito mais do que esperava.
Enquanto conhece cada uma delas, também começa a conhecer a si mesmo.
O homem que passou a vida inteira seguindo regras percebe que talvez exista uma vida diferente daquela que havia imaginado.
E foi justamente isso que me conquistou no livro.
Acompanhar Linus conhecendo cada criança e, ao mesmo tempo, descobrindo quem ele realmente poderia ser foi uma das experiências de leitura mais gostosas que tive.
Por isso, quando terminei o primeiro livro, ele acabou se tornando meu favorito de TJ Klune.
Em Algum Lugar Além do Mar: depois da descoberta
É justamente por isso que gostei tanto da proposta da continuação. TJ Klune não tenta simplesmente repetir a história. E acho que isso seria impossível. Linus já conhece aquelas crianças.
Nós também.
Não precisamos mais descobrir quem é Lucy, nos acostumar com as excentricidades de Talia ou tentar entender exatamente o que é Chauncey.
Já sabemos quem eles são.
E é aí que acontece uma mudança muito interessante:
No primeiro livro, o encantamento está na descoberta. No segundo, está na permanência.
A Casa no Mar Cerúleo é sobre descobrir uma família.
Em Algum Lugar Além do Mar é sobre descobrir como é viver depois de encontrá-la.
A história mostra o que acontece depois do primeiro livro, quando aquela família já está formada e precisa continuar vivendo, crescendo e enfrentando os desafios que aparecem pelo caminho.
E eu adorei isso.
Porque existe algo muito aconchegante em reencontrar personagens que já amamos e simplesmente acompanhar suas vidas.
É quase como visitar velhos amigos.
📖 Em Algum Lugar Além do MarT. J. Klune
⭐⭐⭐⭐½ 4,5/5
Sinopse:
Depois dos acontecimentos de A Casa no Mar Cerúleo, Linus Baker finalmente encontrou seu lugar ao lado de Arthur Parnassus e das seis crianças mágicas do orfanato da ilha de Marsyas.Mas construir uma família não significa que os problemas ficaram para trás. Quando novas ameaças e autoridades começam a interferir na vida que eles construíram, Linus e Arthur precisam proteger não apenas as crianças, mas também o direito daquela família de existir e permanecer unida.
Enquanto enfrentam novos desafios, as crianças continuam crescendo, aprontando e mostrando que são muito mais do que as criaturas perigosas que o mundo insiste em enxergar.
🛒 Quer voltar a Marsyas?
Voltar para o Cerúleo é como voltar para casa
Uma das coisas que mais gostei em Em Algum Lugar Além do Mar foi justamente reencontrar os personagens.
O clima aconchegante continua presente, e as crianças continuam sendo responsáveis por boa parte dos momentos mais divertidos. Ainda mais quando outra criança se junta a essa turminha.
Eu ri muito das falas e das aventuras delas.
E Talia continua sendo uma das minhas favoritas. Principalmente porque, aparentemente, sua solução para qualquer pessoa que a irrita continua sendo... cavar uma cova para ela. 🤣
É impossível não gostar de uma personagem assim.
E acho que esse é um dos maiores méritos da continuação: como já conhecemos essas crianças, não precisamos mais de grandes apresentações. Podemos simplesmente aproveitar a companhia delas.
Arthur finalmente começa a abrir as asas
Se existe um personagem que ganha bastante espaço em Em Algum Lugar Além do Mar, para mim é Arthur.
No primeiro livro, ele precisa esconder quem realmente é. Existe uma parte importante de sua vida que permanece protegida, e isso limita bastante a maneira como ele pode se apresentar para o mundo.
Na continuação, porém, vemos Arthur começando a abrir as próprias asas.
E não apenas no sentido literal. 😏
Ele começa a se acostumar com a ideia de mostrar mais de quem realmente é, principalmente diante das crianças. É bonito perceber essa mudança porque Arthur não deixa de ser quem era. Ele simplesmente começa a se permitir ocupar mais espaço. E isso também fortalece sua relação com Linus.
Linus e Arthur funcionam muito bem como família
Se existe alguma dúvida sobre a relação dos dois, Em Algum Lugar Além do Mar ajuda a mostrar que Linus e Arthur não funcionam apenas como casal. Eles funcionam como família.
E acho que isso é uma das coisas mais bonitas da continuação. Não estamos apenas acompanhando um romance. Estamos vendo duas pessoas construindo uma vida juntas e aprendendo a exercer esse papel de pais para aquelas crianças tão peculiares.
Existe carinho, parceria e aquela sensação de que eles realmente encontraram um lugar ao qual pertencem. E algumas cenas conseguem transmitir isso melhor do que qualquer grande declaração.
Uma das minhas favoritas acontece quando Linus e Arthur voltam para casa acompanhados por David. Durante a noite, todas as crianças acabam invadindo o quarto dos dois e vão dormir juntas com eles.😍
É uma cena simples, mas representa perfeitamente aquilo que a história construiu. Aquela não é mais apenas uma casa onde vivem algumas crianças mágicas.
É uma família.
Zoe é uma surpresa
Outro personagem que me surpreendeu foi Zoe. Durante boa parte da história, ela está sempre ali, ajudando os amigos e participando das coisas de maneira quase discreta. Mas, quando descobrimos o verdadeiro tamanho de seu poder, percebemos que havia muito mais por trás daquela personagem.
E ela acaba tendo uma participação importante na resolução do conflito. Gostei bastante dessa escolha porque Zoe não precisa ficar o tempo todo tentando provar que é poderosa.
Ela simplesmente está ali. E quando chega o momento certo, descobrimos o quanto ela realmente é capaz de fazer.
A nova inspetora e as crianças aprontando 🤭
O conflito envolvendo a nova inspetora também funcionou muito bem para mim.
A dinâmica entre ela e as crianças me lembrou bastante do filme Matilda.
E, considerando o tanto que aquelas crianças aprontam com ela, digamos que algumas dessas travessuras são bastante justificáveis. 🤭As crianças simplesmente não facilitam a vida dela.
Mas é justamente esse tipo de situação que mantém o humor presente na história.
Mesmo quando o livro aborda temas mais sérios, TJ Klune consegue preservar aquele clima leve e aconchegante que fez o primeiro livro funcionar tão bem.
E, particularmente, adoro quando uma fantasia consegue equilibrar emoção, humor e personagens cativantes sem deixar que um elemento engula os outros.
A continuação precisava existir?
Essa é provavelmente a pergunta mais interessante para quem está pensando em ler Em Algum Lugar Além do Mar.
E minha resposta é: sim.
Mas não porque a continuação seja melhor que A Casa no Mar Cerúleo. Na verdade, acho que o primeiro continua sendo superior. Só que não por algum problema do segundo.
Meu 4,5 estrelas não significa que encontrei alguma coisa particularmente ruim na continuação. Muito pelo contrário. Gostei do reencontro com os personagens, gostei do desenvolvimento da história, gostei do clima aconchegante e gostei de descobrir o que aconteceu depois do final do primeiro livro.
O único motivo para eu não dar 5 estrelas é justamente a comparação inevitável com A Casa no Mar Cerúleo.
O primeiro livro tem aquele sentimento especial de descobrir algo completamente novo.
Existe uma magia muito particular em chegar àquela ilha junto com Linus, conhecer aquelas crianças pela primeira vez e perceber aos poucos que aquilo que parecia estranho e perigoso pode ser, na verdade, um dos lugares mais acolhedores que ele já encontrou.
É aquele tipo de leitura que deixa o coração quentinho. E isso é difícil de repetir.
Em Algum Lugar Além do Mar vale a pena?
Para mim, definitivamente.
Mas eu não recomendaria começar esperando encontrar outro A Casa no Mar Cerúleo.
Leia Em Algum Lugar Além do Mar como aquilo que ele realmente é: uma continuação que nos permite descobrir o que acontece depois que a história aparentemente termina.
No primeiro livro, Linus precisa descobrir que aquelas crianças não são monstros.
No segundo, nós já sabemos disso.
Agora acompanhamos aquela família tentando viver, crescer e encontrar seu espaço em um mundo que ainda precisa aprender a enxergá-los.
E talvez seja essa a diferença mais bonita entre os dois livros:
A Casa no Mar Cerúleo é sobre descobrir uma família.
Em Algum Lugar Além do Mar é sobre lutar para que essa família possa continuar existindo.
E, no fim, é justamente por isso que gostei tanto de voltar ao Cerúleo.
Porque algumas histórias não precisam de uma nova aventura gigantesca.
Às vezes, tudo o que queremos é voltar para casa e descobrir o que nossos personagens favoritos estão fazendo depois que o livro terminou.
E foi exatamente essa sensação que tive lendo Em Algum Lugar Além do Mar.
💬 E você, já leu os livros?
Se você já conhece A Casa no Mar Cerúleo e Em Algum Lugar Além do Mar, quero saber:
qual dos dois conquistou mais o seu coração?
Você também se apaixonou pelas crianças ou tem algum personagem favorito?
E, se ainda não conhece a história, talvez seja hora de fazer uma visita a Casa no mar Cerúleo. 🌊💙




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